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Casa da Baía quase cheia no lançamento do Re-Skill

25 de set.
3 min de leitura

A Casa da Baía recebeu, no dia 22 de setembro, o lançamento oficial do Re-Skill, numa sessão que reuniu jovens, instituições públicas, organizações sociais, parceiros e representantes da comunidade em torno de um objetivo comum: criar mais e melhores oportunidades de integração, emprego e empreendedorismo para jovens migrantes na Península de Setúbal.

Com a sala praticamente cheia, o encontro marcou o arranque público de um projeto promovido pela YMCA em Setúbal, em parceria com a Territórios Criativos e a IDSet, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, através da Iniciativa Gulbenkian Empregar.


O Re-Skill dirige-se a jovens entre os 15 e os 34 anos que se encontram fora do emprego, educação ou formação e procura criar percursos que combinem capacitação, experimentação, desenvolvimento de competências e empreendedorismo.


Uma missão que atravessa gerações

A sessão de abertura esteve a cargo de Luís Sebastião, Presidente da YMCA em Setúbal, que estabeleceu uma ponte entre o passado, o presente e o futuro do trabalho desenvolvido pela organização no empoderamento de jovens.


Na sua intervenção, recordou as raízes da YMCA e os princípios sociais do cristianismo que estiveram na origem do movimento, destacando a forma como esses princípios se traduzem numa ação aberta a todas as pessoas, independentemente da sua origem, cultura ou credo.

No centro dessa missão permanecem os jovens e o compromisso de criar condições para que possam desenvolver o seu potencial, conquistar autonomia e participar plenamente nas comunidades onde vivem.


A integração foi também apresentada como um processo que exige mais do que palavras. Estas são importantes para afirmar princípios, mudar perceções e mobilizar vontades, mas precisam de ser acompanhadas por oportunidades concretas, relações de confiança e respostas capazes de produzir mudanças reais na vida das pessoas.


Dar voz aos jovens

O lançamento permitiu ainda conhecer melhor o modelo de intervenção do Re-Skill e ouvir diretamente alguns dos jovens participantes.


Os testemunhos apresentados ao longo da sessão trouxeram para o centro da discussão os percursos, experiências e expectativas de quem enfrenta os desafios que o projeto procura ajudar a ultrapassar.


Mais do que desenvolver respostas para os jovens, o Re-Skill pretende criar condições para que estes sejam participantes ativos na construção do seu próprio percurso, com maior autonomia e capacidade de decisão sobre o seu futuro.



Diferentes instituições, um desafio comum

Um dos principais momentos da tarde foi a mesa-redonda dedicada à integração socioprofissional de migrantes, moderada por Hugo Fernandes.


A discussão reuniu Pedro Cunha, Gestor Sénior da Fundação Calouste Gulbenkian, José Manuel Martins Lucas, Diretor do Centro Distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social, e Tiago Filipe da Silva Marques, Diretor do Departamento de Integração de Migrantes da AIMA.


Ao longo da conversa foram cruzadas diferentes perspetivas sobre os desafios da integração em Portugal, desde o acesso ao emprego e à formação à vulnerabilidade social e laboral, passando pelo empreendedorismo, pelas redes de apoio e pela necessidade de melhorar a articulação entre instituições públicas, autarquias, empresas e organizações da sociedade civil.


Ficou igualmente evidente a importância de aproximar respostas que, muitas vezes, existem em diferentes organizações, mas que precisam de trabalhar de forma mais coordenada em torno das mesmas pessoas e dos mesmos territórios.


Para António Malveiro, responsável de Marketing da YMCA em Portugal, esta capacidade de aproximar diferentes intervenientes é uma das dimensões mais relevantes de encontros desta natureza:

“Mesmo que um evento como este servisse apenas para colocar em contacto pessoas que, a partir de diferentes áreas e responsabilidades, podem contribuir para resolver os problemas que o Re-Skill procura enfrentar, já teria cumprido uma função importante. Integração, emprego e empreendedorismo não se resolvem dentro de uma única organização. É necessário aproximar quem conhece os problemas, quem tem instrumentos para intervir e quem pode abrir oportunidades. O passo seguinte é transformar essas relações em ação.”

A integração constrói-se no território

O encerramento esteve a cargo de Vasco Caleira, responsável pelo Departamento da Juventude do Município de Setúbal, reforçando a importância da cooperação entre instituições e do papel do território na criação de oportunidades para os jovens.


A integração acontece também à escala local, nas escolas, nas empresas, nas associações, nos serviços públicos e nas relações que se constroem diariamente entre pessoas e organizações.

Neste contexto, projetos como o Re-Skill podem contribuir para transformar a diversidade existente no território em participação, qualificação, emprego, empreendedorismo e novas oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.


A sessão terminou com um momento de networking, prolongando informalmente as conversas entre jovens, parceiros, instituições e equipa do projeto.


O lançamento marcou o início de uma nova etapa. O desafio do Re-Skill passa agora por transformar capacitação, conhecimento e redes de contacto em oportunidades concretas, contribuindo para que mais jovens possam trabalhar, empreender, participar e construir o seu futuro na Península de Setúbal.

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