Pyramid of Love | O direito de ser pessoa
O combate ao discurso de ódio é uma urgência. Talvez tenha hoje uma visibilidade particular, mas não é uma urgência nova.
Um estereótipo é, antes de mais, uma forma simplificada de organizar aquilo que pensamos sobre um grupo de pessoas, uma generalização. O preconceito acrescenta-lhe uma dimensão afetiva e pode contribuir para legitimar formas de discriminação e de violência simbólica. Quando estas representações e atitudes se tornam socialmente naturalizadas, determinadas formas de desigualdade e exclusão podem passar a ser vistas como normais.
É neste território que se inscreve o Pyramid of Love. Um projeto que procura envolver pessoas jovens na desconstrução de estereótipos, preconceitos e discursos de ódio, especialmente contra pessoas com percursos migratórios, mas também na construção de outros olhares sobre a diferença e sobre as desigualdades que atravessam as nossas vidas.
Porque as experiências de discriminação não acontecem de forma isolada. As diferentes dimensões das nossas vidas cruzam-se e podem produzir experiências distintas de desigualdade e exclusão. É através do pensamento crítico, da participação, da empatia, da igualdade e do respeito pela diversidade que o projeto procura abrir espaço para outras formas de olhar, pensar e nos relacionarmos.
Esta ideia está também na origem da identidade visual do projeto. A Pirâmide do Amor parte de uma convicção simples: não basta combater o ódio; é preciso construir alternativas. O coração representa esse horizonte de empatia, cuidado e ligação humana. As pessoas jovens estão no centro desta construção, através do diálogo e da participação. E a pirâmide lembra-nos que a mudança não acontece de um momento para o outro: constrói-se por camadas, com o envolvimento das pessoas, das comunidades e das instituições.
É uma mudança que não depende apenas de cada pessoa, nem se faz através de uma campanha isolada. Exige relações, participação e responsabilidade coletiva. Exige que sejamos capazes de reconhecer o que nos diferencia sem transformar a diferença em desigualdade, rejeição ou exclusão.
Por isso, faz sentido que o Pyramid of Love seja cofinanciado pelo CERV — Citizens, Equality, Rights and Values. Porque, no fundo, falamos de algo muito simples e, ao mesmo tempo, complexo: o direito de ser pessoa, numa sociedade em que as diferenças não sejam transformadas em desigualdade, rejeição ou exclusão.
Da Pirâmide do Ódio à Pirâmide do Amor.




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